https://marciookabe.com.br/futuro/visoes-de-um-futuro-nao-tao-distante-2050/

Educação e aprendizado

Não existem mais escolas como em 2020, pois não há necessidade alguma de reunir dezenas de crianças e acontecer o deslocamento até um espaço físico como eram chamadas as escolas. A inteligência artificial evoluiu a tal ponto que todos possuem um assistente pessoal que ajuda a fazer uma CURADORIA DO MUNDO. 

O modelo de ensino com base em conteúdo e com foco no vestibular teve o início do seu fim com a crise de 2020, pois ficou evidente que não havia razão para os professores(as) “passarem conteúdo” online e competir com os excelentes conteúdos que youtubers já deixavam disponíveis gratuitamente. O homeschooling se tornou comum e todo mercado de educação se moldou em torno deste novo modelo. No início, o homeschooling era associado a replicar o conteúdo da escola em casa seguindo as orientações do MEC (antigo órgão do governo que regulava o conteúdo que deveria ser ensinado para as crianças). Alguns pais e mães adotavam modelos ainda mais livre de aprendizado que chamávamos de UNSCHOOLING. Porém, com o fim das escolas baseadas em conteúdo, essas nomenclaturas perderam sentido. Assim como “alugar filmes na locadora” perdeu sentido quando a Netflix liderou a tendência dos filmes via streaming.

O Rafael que havia saído da escola com 14 anos, se tornou um dos líderes deste movimento de uma nova educação. 

Conceitos como aprendizagem criativa (ver Mitchel Resnik) baseados nos pilares – Projetos, Pares, Paixão e Play (brincar) – e a educação maker (baseada no FAZER APRENDENDO) se tornaram as bases da nova educação.

Os professores que antes ensinavam conteúdo, se tornaram TUTORES e acompanhavam poucas crianças. Apesar da INFINIDADE de conteúdo e dos assistentes digitais, os TUTORES criam CONEXÃO, INTERAÇÃO e EXPERIÊNCIAS COM e ENTRE as crianças e jovens. 

Muitos professores e, principalmente, gestores foram contra as mudanças. Afinal, a desintermediação do aprendizado iria tornar desnecessário a existência de inúmeros cargos. Com a migração para as aulas online sem tempo para mudar a cultura das escolas, grande parte das escolas (principalmente as particulares) tentaram – sem sucesso – migrar todas as aulas para o formato online. O problema é que a grande maioria dos gestores tomaram decisões baseadas no MEDO de perder os alunos e as receitas. 

Assim como na revolução industrial, no qual surgiu o movimento do LUDISMO.

“O ludismo (ou luddismo) foi um movimento que ia contra a mecanização do trabalho proporcionado pelo advento da Revolução Industrial. Adaptado aos dias de hoje, o termo ludita (do inglês luddite) identifica toda pessoa que se opõe à industrialização intensa ou a novas tecnologias” Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ludismo

Arsam Marduk – considerado o mais jovem futurista em 2020 – foi o criador do portal Gen Z Futurists cuja missão é levar um novo modelo de educação baseado no conceito “Edutainment” que é a mescla de educação com entretenimento. Ele conseguiu colocar em prática e atingir BILHÕES de crianças em todo mundo levando as boas práticas para uma aprendizagem criativa:

  • Aprendizagem engajada – Envolvimento das crianças durante todo o processo de aprendizagem com sessões mais curtas de conteúdo com seleção de vídeos, jogos e aplicativos.
  • Liberdade de aprendizagem – Aplicar a lógica dos jardins de infância e pré-escolas, e deixar as crianças aprenderem através da brincadeira.
  • Exploração no mundo real – As  crianças são programadas biologicamente para criar suas próprias inovações. Seu tempo de jogo é mais para explorar e entender seu mundo ao redor e é por isso que aprender através do jogo satisfaz seus interesses básicos. 
  • Educação experimental –   As crianças tem um aprendizado prático em museus infantis ou visitar teatros ou parques para estudar com a natureza. A educação de aventura e a educação ao ar livre são formas-chave de aprendizado em educação e entretenimento que tornam o tempo de estudo mais emocionante.
  • Melhora a positividade – Usar personagens de filmes e jogos como modelos para inspirar as crianças a imitar os aspectos positivos em suas próprias vidas.
  • Estimulação intelectual – Uso de jogos e desafios como estratégia educacional para melhorar seus estímulos intelectuais, aumentar sua capacidade de raciocínio, resolução de problemas e mentalidade competitiva. Storytelling (contar histórias)  como forma de melhorar sua base de conhecimento e aprendizado. 
  • Jogos educativos – Jogos são essenciais para explorar elementos como imagens, sons e animações para cativar as crianças e ganhar seu interesse dedicado pelo aprendizado.
  • Atenção aprimorada – As crianças prestam atenção às questões que os divertem. Por isso que o ensino e entretenimento está se mostrando muito eficaz para atrair sua atenção. 
  • Mobilidade e Aprendizagem portátil – O micro-learning (micro-aprendizado) ocorre em qualquer lugar e, em 2050, TODA CRIANÇA pode ter um “professor de bolso” para aprender onde estiver.
  • Habilidades socioemocionais – A busca do aprimoramento de suas habilidades sociais, que é vital para sua sobrevivência e crescimento na sociedade, deve fazer parte da trilha de aprendizado.

https://genzfuturists.com/what-is-edutainment-how-is-it-beneficial-for-kids/

Redes de aprendizado – Fim do vestibular

O vestibular e o ENEM não existem mais, bem como as faculdades da forma como eram em 2020. Antigamente, os jovens eram obrigados a escolher uma faculdade e, na maioria das vezes, era preciso frequentar para ter aulas presenciais. Havia uma segregação das melhores e piores faculdades que, por sua vez, criava um sistema de seleção dos “melhores alunos”. Era comum, muitos jovens cursarem faculdades e escolherem “carreiras promissoras” baseados na premissa de terem mais chances de conseguirem um bom emprego. 

Atualmente, as antigas faculdades e universidades se tornaram espaços de encontro para aprendizado colaborativo que oferece o ambiente e estrutura para que o aprendizado aconteça entre as pessoas. O conceito da Aprendizagem Ponto-a-Ponto no qual você aprender e você ensina teve como precursora a École 42 que surgiu na França como forma de superar a falta de profissionais qualificados na área de tecnologia. 

Em meio à crise das escolas e faculdades, grande parte das instituições faliram e os antigos prédios foram ocupados por grupos de pessoas que as transformaram em espaços de encontro e trocas de experiências. Usando conceitos de AUTOGESTÃO, transformaram antigas estruturas baseadas em modelos hierárquicos (ver Reinventando as Organizações – Frederic Laloux) em ambientes inspiradores onde as comunidades de aprendizagem poderiam se encontrar para gerar CONEXÃO, INTERAÇÃO e EXPERIÊNCIAS.

” Escolas não são edifícios. Escolas são pessoas” José Pacheco

Neste ambiente, as pessoas se reúnem para solucionar desafios e problemas, sejam eles REAIS ou apenas imaginários, porém sempre com o objetivo de colocarem em prática seus TALENTOS.

“Onde as necessidades do mundo e os seus talentos se cruzam aí está a sua vocação.” Aristóteles

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